sábado, 21 de maio de 2011

Com amor, Charlotte - 3° Capitulo

Depois de ler e reler o romance umas oito vezes, o menino caiu no sono e teve apenas sonhos referentes ao romance contado por Charlotte.

No dia seguinte acordou com as galinhas como sempre, tomou sua ducha matinal, e quando voltou para o quarto sua mãe trocava fagulhas com o filhos mais novo que se recusava acordar o que era rotina. Ele passou quase que despercebido pela mãe, pegou seu uniforme e material que estava pronto desde a noite anterior, e foi se trocar no quarto dela para evitar maiores dores de cabeça para o seu lado.
- Vamos logo! - gritou a mãe pela centésima vez. Como eles usavam transporte público, era mais do que comum que eles perdessem a condução devido aos problemas causados por Bernado.
- Hey Uis! - chamou uma garota pequenina, gorduchinha, de cabelos ruivos presos em um emaranhado. 
- Bom dia Bruna! - esta era a melhor amiga de Aluis, a menina mais humilde que já conhecera e também bolsista a única diferença era que seu pai era o professor de física da escola e não faxineiro. Sua mãe ficava em casa cuidando dos gêmeos recém-nascidos.
- Você não vai acreditar no que aconteceu Uis! - 'Uis' era o apelido carinhoso.
O garoto não estava muito interessado em escutar qualquer fofoca sobre os 'fresquinhos' da escola, como ela gostava de chamar os filhinhos-de-papai. Mas ele sabia que a amiga se sentia muito ofendida quando era ignorada ou levada com menos fé do que o necessário estipulado por ela.
- Hã? - o menino se esforçou ao máximo.
- Meu pai recebeu duas cortesias para a excursão de Ciências deste final de semana. - os olhos da garota brilhavam, já que nem sempre era possível ir às fabulosas viagens com a escola.
- Legal! - ele tentou trazer o máximo de emoção, mas não foi o suficiente para agradar a amiga.
- O que você tem Aluis? - ela arquejou sua sobrancelha esquerda como sempre fazia quando achava algo meio duvidoso.
Já Aluis deu de ombros e começou a andar em direção a sua sala de aula onde a maioria dos alunos já estavam concentrados.
O professor de literatura não demorou muito para começar a falar, entretanto o menino só estava fisicamente presente já que seus pensamentos vagavam com Charlotte.
O romance em sua mente era mais forte tão forte que a cada segundo ele sentia mais vontade de saber mais e mais sobre ele. Ele não queria livros mais, ele queria a carta, pois nela se encontrava o romance vivido por dois seres humano e não os devaneios de poetas e escritores.
Ele gostaria de saber quem na verdade era Charlotte e se ela ainda existia ou se era justamente por isso que seus livros haviam vindo parar na biblioteca da escola. Com um impulso involuntário sua mão já estava no ar esperando a atenção do professor.
- Sim, senhor Jota?! - o professor não se sentia muito feliz e não era muito amigável quando tinha uma de suas leituras interrompida, mas nunca ignorava o aluno, talvez por um tipo de agonia em ter uma mão pairando no ar.
- Poderia ir ao banheiro? - perguntou o menino.
- A necessidade é tão grande que não pode esperar eu terminar minha leitura de Shakespeare? - perguntou o professor aborrecido.
- Sim, de extrema precisão! - mentiu o menino.
- Vá!
- Então ele se retirou o mais rápido possível da sala, já sabendo que o professor agora até o preferia fora da sala. Agora ele tinha plena noção de ter ganhado uns 40min.
Uis andou pelo enorme corredor do terceiro andar e ao invés de entrar no banheiro ao fim do corredor, ele subiu as escadas ao lado até o quinto andar.
A escola era gigante, possuía cinco andares e nem eram tantos alunos assim, o que o deixava em paz por não ter problemas ao esbarrar em algum colega importuno.
- Já por aqui, senhor Jota! - a bibliotecária, a Dona Cássia exclamou com a surpresa.
- Bom dia, Dona Cássia! Eu gostaria de uma informação!
- Se eu puder ajudar! - se dispôs!
- Acho que pode... hum ... eu gostaria de saber quem doou os livros da última vez?
- Own! Por que o interesse?
- Estou fazendo um texto para o meu professor de redação e gostaria de entrevistar pessoas que doam livros!
- É uma ótima causa... Acho que poderia até publicar no jornal da escola.
- Quem sabe, não é! - sorriu gentilmente como se essa fosse sua intenção.
- Foi Charlotte Baltez! Uma adorável mulher acho que não chegou a conhecer suas meninas que estudaram aqui há alguns anos atrás.
- Acho que não as conheci de fato. - o menino se sentiu triste por não as terem conhecido. - Ela vive nos arredores da escola?
- Não, ela vive na fazenda 'dos Baltez'! - a bibliotecária parecia estar delirando - uma vez fui até lá buscar uns livros, sinceramente nunca vi nada mais belo do que aquele lugar e aquela mansão!
- Obrigada, Dona Cássia!

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