Aluis tinha duas opções agora: ir em frente e bater na grande mansão ‘dos Baltez’ ou abandonar a ideia. Por um tempo ele avaliou ambas até finalmente tomar forças, de algum lugar, e as posicionar em suas pernas para então seguir em frente.
‘Com licença! Eu só gostaria de saber se é aqui que vive a Senhora Charlotte Baltez?’ o menino ensaiou pela última vez antes de tocar a campainha. Não demorou até que uma mulher não tão velha abrir a porta e olhou curiosamente nos olhos.
- Boa tarde. – o menino agora parecia ter travado e nem ao menos havia vestígios que ele voltaria a dizer algo. Contudo ele conseguiu, em meio aos engasgos e tropeções – E-eu gostaria de sa-saber se a Senhora Charlotte vive por aqui?
A mulher lhe deu um sorriso confortável.
- Com certeza. Vivo aqui há dezoito anos. – ela foi bem educada e um tanto humorística, talvez pelo fato de um menino se encontrar ali – Em que posso ajudá-lo rapaz?
- Desculpe-me o incômodo. É que eu estudo no Colégio Dom Carlos, e acho que a senhora andou doando livros à nossa escola. – o menino começou a despejar tudo de uma vez de cabeça baixa enquanto seus olhos pareciam querer fugir. – E acho que se esqueceu de verificar dentro dos livros já que achei isto dentro de um dos exemplares que peguei para ler na última semana. – ele retirou do bolso do casaco, que usava devido às baixas temperaturas, um envelope amarelado e amarrotado.
- Oown! Acho que deveria ter sido mais atenciosa. – sua expressão passou de espanto para leve em segundos. – Acho que você é um menino um tanto curioso, não? – disse quando pegou a carta em suas mãos e a viu aberta.
- Mil perdões Senhora! Eu não quis ser bisbilhoteiro nem nada, apenas achei que não haveria nada demais em lê-la, afinal não esperava encontrar um conteúdo tão valioso que me fizesse vir até a senhora. – o menino estava com sua face vermelha, como se todo o sangue de seu corpo estivesse concentrado em suas bochechas.
- Acalme-se rapaz! Já estava na hora dessa carta ser aberta de qualquer jeito. Por favor, aceite lanchar comigo. Fiz um bolo de milho, poderíamos saboreá-lo enquanto conversamos sobre esta que te trouxe aqui, pois eu realmente não acho que você só veio devolve-la. – então se afastou para que o menino passasse pela porta e logo a fechou a suas costas.
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