segunda-feira, 30 de maio de 2011

Com amor, Charlotte - 5° Capítulo

- Eu não queria causar incômodo Senhora! – repetiu o garoto um tanto desajeitado na enorme casa.
Assim que ele entrou pelo saguão da casa e passou ao lado da sala que como o resto possuía pisos de cerâmica, sofás beges, uma mesinha de centro desenhada, flores por toda a casa, pelo que o menino pode perceber só a sala e o saguão eram do tamanho de toda a sua casa. Ele desprendeu sua atenção dos detalhes da sala quando passaram pelo portal de outra porta enorme, que também era desenhada cuidadosamente.
Foram parar na copa, que era do tamanho da sala com uma mesa de centro de formato retangular, para dez pessoas. Viu então o quadro que mostrava com perfeição o lago que ficava do lado de fora da casa, apenas sendo iluminado pelo luar.
- Brilhante, não? – disse Charlotte que admirava o quadro atrás do garoto.
- Excepcional! quem o fez? – perguntou o garoto boquiaberto.
- Bene! Ela é uma artista nata. – disse orgulhosa enquanto se virava e seguia para a cozinha.
- Bene é sua filha? – perguntou curioso, porque até onde se lembrava, na carta dizia que ela tinha uma filha de um mais de um ano que se chama Fleur.
- Own sim. Acho que me referi apenas a Fleur na carta já que era única na época, logo depois chegou Bene e Josephine. São as minhas preciosidades.
- Moram com você? – perguntou. Sua cobiça por informação sobre a vida da romântica Charlotte era tanta que ele não perdia oportunidades.
- Quem dera. Minhas filhas estudam na Finlândia: a mais velha conclui esse ano seu ensino, Bene ainda tem mais um ano e Jose minha casula ainda terá três anos na escola. Essa foi uma das exigências feitas por meu marido, George.
Ela pegou uma bandeja de prata com duas tacinhas, uma jarra de suco e outra garrafa de chá, algumas bolachinhas salgadas e outras doces.
- Meu menino, por favor, leve esta bandeja. Eu vou ter de levar o bolo nas mãos, pois acho que essa bandeja espera que comecemos o mínino, já que sequer cabe meu bolo. – ela riu da bandeja.
Depois pegou o bolo nas mãos e seguiu para a varanda da casa que era bem iluminada com uma mesinha e cadeiras artesanais.  O campo era muito verde a uns cento e cinquenta metros podia se vir o lago, já atrás dele estava o sol que dava seu último adeus antes de dar espaço à lua.
- Onde está seu marido senhora?
- Bom, primeiramente não quero formalidades, chame-me apenas de Charlotte ou ‘Char’ que é meu apelido. Bem, fiquei viúva há seis anos. Foi um baque para mim e minhas filhas. Todas elas sofreram muito e suplicaram para que eu as deixasse ficar ao invés de mandá-las para Finlândia.
- Elas não queriam te ver sozinha! – concluiu o menino.
- Não, elas não queriam. Todas são muito apegadas a mim, mas se eu as tirasse da escola estaria acabando com todos os sonhos que o pai delas construiu. – respondeu amargurada.
- Você cansou dos livros? – perguntou o menino, se lembrando que ela havia doado vários para sua escola.
- Jamais me cansarei deles, apenas acho que posso compartilhá-los com outros jovens e enquanto abro espaço para mais livros. – ela deu mais um gole em seu chá.
- Como foi? – finalmente a curiosidade do menino o vencera e ele fizera a pergunta que na última semana viera alimentando sua imaginação.
- O que? – perguntou a senhora sem saber ao certo o que deveria responder.
- Bom você descreve na carta que sofreu muito quando tomou a decisão de ficar ao invés de seguir quem realmente amava. – ele mesmo não tinha certeza do que estava perguntando.
- Eu não acho que poderia de fato segui-lo, já que ele era um viajante. Era como se ele me levasse a uma caminhada nas nuvens, como poderia eu me manter em cima dela? – seus olhos mostravam total infelicidade com sua fraqueza.
- Se ele podia manter-se nela e aposto que não se importaria de mantê-la também.

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