- Ele era diferente Aluis! – o menino buscou algum sinal nos olhos de Dona Char de que ela ainda estivesse no presente, mas com toda a clareza ela já estava vasculhando suas lembranças. – Ele tinha um espírito muito forte, eu não sei te explicar. Acho que ele é o tipo nato de amante.
“A mulher só tem um amante quando lhe falta alguma coisa no casamento e existe outro homem pra suprir essas deficiências do casamento. E eu encontrei isso nele entende. E é difícil, para mim, explicar o que faltava no meu casamento já que eu tinha um marido que me amava muito e que também amava, eu tinha uma bela casa com a qual sempre sonhei em ter, afinal eu fui criada numa família tradicional que ensinava as mulheres a serem excelentes donas de casas para cuidar do marido e dos filhos.”
Ela por alguns segundos parou de falar, enquanto de olhos fechados bebericava seu chá de hortelã. Quando voltou a quebrar o silêncio, virou o foco das perguntas ao menino.
- Sabe, às vezes fico imaginando como teria sido minha vida se eu a tivesse levado para o outro rumo. – disse enquanto visivelmente avaliava as possibilidades.
- A senhora se arrepende?
- De modo algum! – disse com segurança – eu amo minhas meninas e na me arrependo de tê-las em minha vida.
Com isso, a mulher foi até a algum lugar da imensa casa para depois voltar carregando vários álbuns de fotos.
O primeiro álbum trazia na capa uma foto do casamento de Charlotte Santana e George Baltez, ela em seus vinte anos enquanto ela uns trinta. Ambos pareciam felizes com a celebração e Aluis observou a forma amorosa com que George admirava a esposa. Depois das fotos do casamento e das celebrações de natal daquele ano foi a vez da pequena Fleur aparecer nos flashes. A menininha de pele rosada, cabelos encaracolados cor de me e olhos clarinhos. Linda. As fotos da garota iam desde seu primeiro dia a meses, quando mais uma pequena garotinha se juntou ao álbum.
Esta tinha a pele bem mais clara do que Fleur enquanto seus cabelos eram negros e escorridos e o olho da menina eram nebulosos.
- Sua filha? – o menino estava claramente confuso. Era difícil acreditar que as duas fossem irmãs e mas difícil ainda era como George não teria desconfiado de Charlotte com outro homem em meio a uma de suas viagens a negócios.
- Sim. Esta é Bene. Aquela que desenhou o quadro. – explicou sem intermédios. O menino não tinha coragem de perguntar se Conrado poderia ser o pai dela, acabou se contentando em admirar o casal e as duas meninas a cada página.
As semana que se passavam faziam com que Fleur adquirisse uma beleza habitual enquanto sua irmã atraia mais a atenção de Aluis. Seria assim tão difícil que as pessoas reparassem a diferença?
Logo Charlotte percebeu que o menino havia ligado os pontos e resolveu entregá-los de uma vez.
- Conrado é o pai de minha Bene. – confessou sem um pingo de remorso ou vergonha, pelo contrário ele sentia orgulho pela menina. – A principio foi maravilhoso ter uma filha dele, mas com o tempo tive muito medo que fosse tudo descoberto, mas Graças a Deus Bene é uma menina conseguiu encantar a todos e George se apaixonou por ela assim como tinha feito por Fleur e então nunca ninguém foi capaz de duvidar que eles fossem pai e filha.
- Conrado nunca veio atrás da filha?
- Veio. Uma vez. – admitiu. – Eu não o vi, mas sei que ele veio visitar a filha quando esta tinha menos de uma semana de vida, pois ele lhe dei uma pulseirinha de ouro com os dizeres “Iluminada” e uma estrelinha. Esta era sua grande paixão. Admirar as noites iluminadas.
- E você, querido... O que me contas?
O menino pensou durantes segundos para avaliar o que ele tinha para contar para Char, mas nada parecia ser interessante a ela. Nada de sua humilde vida teria sentido para aquela senhora tão adorável.
Não demorou até que Charlotte entendesse que o menino não se sentia a vontade para falar de si mesmo e resolveu puxar outro assunto.
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