terça-feira, 4 de outubro de 2011

O que meu signo diz sobre mim

[ Digamos que a pouco descobri que tudo não passa de uma ilusão. Descobri que guerras nunca deixarão de existir, que filmes de romance só servem para nos fazer chorar, que um dia não seremos mas aquela garotinha inocente e nem mesmo teremos onde nos proteger. ]
[ Desde que atendo como Amanda, busco algo que seja perfeito. Busco a perfeição no faço, no que amo, em obra de artes, em boas ações. Busco perfeição na vida, contudo hoje eu sei que nada nem ninguém é perfeito o que me decepcionou. ]
   

sábado, 4 de junho de 2011

De onde surgem as histórias?

     Sem dúvida alguma, de todos os lugares. Coisas simples podem gerar um turbilhão de pensamentos e ideias, como por exemplo, uma bolsa.
     Estou dando exemplo de uma bolsa, porque foi o acontecimento mais recente que posso citar que ocorreu no início da semana quando minha irmã me contou que tinha mais de dez bolsas, em seu armário e eu sugeri que ela se livrasse de algumas, mas sabe o que eu ganhei de resposta? "Todas elas guardam lembrança?". É ou não é um baita tema para livro? Quando eu poderia imaginar que uma bolsa daria uma bela história?
       Entendem? Precisamos entender que tudo se visto na rotina é monótono e não nos traz um pingo de interesse, mas quando tentamos estudar nosso objeto, ele pode nos acrescentar brilhantes histórias. Imaginem se pegássemos para contar a história do banco de uma praça ou de um ponto de ônibus, quanta história não teríamos?
     Algumas pessoas se inspiram em imagens, músicas, aromas, objetos, gostos e emoções. Então independente de quem seja, em algum momento estará inspirado para inovar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Com amor, Charlotte - 6° Capítulo

- Ele era diferente Aluis! – o menino buscou algum sinal nos olhos de Dona Char de que ela ainda estivesse no presente, mas com toda a clareza ela já estava vasculhando suas lembranças. – Ele tinha um espírito muito forte, eu não sei te explicar. Acho que ele é o tipo nato de amante.
“A mulher só tem um amante quando lhe falta alguma coisa no casamento e existe outro homem pra suprir essas deficiências do casamento. E eu encontrei isso nele entende. E é difícil, para mim, explicar o que faltava no meu casamento já que eu tinha um marido que me amava muito e que também amava, eu tinha uma bela casa com a qual sempre sonhei em ter, afinal eu fui criada numa família tradicional que ensinava as mulheres a serem excelentes donas de casas para cuidar do marido e dos filhos.”
Ela por alguns segundos parou de falar, enquanto de olhos fechados bebericava seu chá de hortelã.  Quando voltou a quebrar o silêncio, virou o foco das perguntas ao menino.

 - Sabe, às vezes fico imaginando como teria sido minha vida se eu a tivesse levado para o outro rumo. – disse enquanto visivelmente avaliava as possibilidades.
- A senhora se arrepende?
- De modo algum! – disse com segurança – eu amo minhas meninas e na me arrependo de tê-las em minha vida.
Com isso, a mulher foi até a algum lugar da imensa casa para depois voltar carregando vários álbuns de fotos.
O primeiro álbum trazia na capa uma foto do casamento de Charlotte Santana e George Baltez, ela em seus vinte anos enquanto ela uns trinta. Ambos pareciam felizes com a celebração e Aluis observou a forma amorosa com que George admirava a esposa. Depois das fotos do casamento e das celebrações de natal daquele ano foi a vez da pequena Fleur aparecer nos flashes. A menininha de pele rosada, cabelos encaracolados cor de me e olhos clarinhos. Linda. As fotos da garota iam desde seu primeiro dia a meses, quando mais uma pequena garotinha se juntou ao álbum.
Esta tinha a pele bem mais clara do que Fleur enquanto seus cabelos eram negros e escorridos e o olho da menina eram nebulosos.
- Sua filha? – o menino estava claramente confuso. Era difícil acreditar que as duas fossem irmãs e mas difícil ainda era como George não teria desconfiado de Charlotte com outro homem em meio a uma de suas viagens a negócios.
- Sim. Esta é Bene. Aquela que desenhou o quadro. – explicou sem intermédios. O menino não tinha coragem de perguntar se Conrado poderia ser o pai dela, acabou se contentando em admirar o casal e as duas meninas a cada página.
As semana que se passavam faziam com que Fleur adquirisse uma beleza habitual enquanto sua irmã atraia mais a atenção de Aluis. Seria assim tão difícil que as pessoas reparassem a diferença?
Logo Charlotte percebeu que o menino havia ligado os pontos e resolveu entregá-los de uma vez.
- Conrado é o pai de minha Bene. – confessou sem um pingo de remorso ou vergonha, pelo contrário ele sentia orgulho pela menina. – A principio foi maravilhoso ter uma filha dele, mas com o tempo tive muito medo que fosse tudo descoberto, mas Graças a Deus Bene é uma menina conseguiu encantar a todos e George se apaixonou por ela assim como tinha feito por Fleur e então nunca ninguém foi capaz de duvidar que eles fossem pai e filha.
- Conrado nunca veio atrás da filha?
- Veio. Uma vez. – admitiu. – Eu não o vi, mas sei que ele veio visitar a filha quando esta tinha menos de uma semana de vida, pois ele lhe dei uma pulseirinha de ouro com os dizeres “Iluminada” e uma estrelinha. Esta era sua grande paixão. Admirar as noites iluminadas.
- E você, querido... O que me contas?
O menino pensou durantes segundos para avaliar o que ele tinha para contar para Char, mas nada parecia ser interessante a ela. Nada de sua humilde vida teria sentido para aquela senhora tão adorável.
Não demorou até que Charlotte entendesse que o menino não se sentia a vontade para falar de si mesmo e resolveu puxar outro assunto.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Com amor, Charlotte - 5° Capítulo

- Eu não queria causar incômodo Senhora! – repetiu o garoto um tanto desajeitado na enorme casa.
Assim que ele entrou pelo saguão da casa e passou ao lado da sala que como o resto possuía pisos de cerâmica, sofás beges, uma mesinha de centro desenhada, flores por toda a casa, pelo que o menino pode perceber só a sala e o saguão eram do tamanho de toda a sua casa. Ele desprendeu sua atenção dos detalhes da sala quando passaram pelo portal de outra porta enorme, que também era desenhada cuidadosamente.
Foram parar na copa, que era do tamanho da sala com uma mesa de centro de formato retangular, para dez pessoas. Viu então o quadro que mostrava com perfeição o lago que ficava do lado de fora da casa, apenas sendo iluminado pelo luar.
- Brilhante, não? – disse Charlotte que admirava o quadro atrás do garoto.
- Excepcional! quem o fez? – perguntou o garoto boquiaberto.
- Bene! Ela é uma artista nata. – disse orgulhosa enquanto se virava e seguia para a cozinha.
- Bene é sua filha? – perguntou curioso, porque até onde se lembrava, na carta dizia que ela tinha uma filha de um mais de um ano que se chama Fleur.
- Own sim. Acho que me referi apenas a Fleur na carta já que era única na época, logo depois chegou Bene e Josephine. São as minhas preciosidades.
- Moram com você? – perguntou. Sua cobiça por informação sobre a vida da romântica Charlotte era tanta que ele não perdia oportunidades.
- Quem dera. Minhas filhas estudam na Finlândia: a mais velha conclui esse ano seu ensino, Bene ainda tem mais um ano e Jose minha casula ainda terá três anos na escola. Essa foi uma das exigências feitas por meu marido, George.
Ela pegou uma bandeja de prata com duas tacinhas, uma jarra de suco e outra garrafa de chá, algumas bolachinhas salgadas e outras doces.
- Meu menino, por favor, leve esta bandeja. Eu vou ter de levar o bolo nas mãos, pois acho que essa bandeja espera que comecemos o mínino, já que sequer cabe meu bolo. – ela riu da bandeja.
Depois pegou o bolo nas mãos e seguiu para a varanda da casa que era bem iluminada com uma mesinha e cadeiras artesanais.  O campo era muito verde a uns cento e cinquenta metros podia se vir o lago, já atrás dele estava o sol que dava seu último adeus antes de dar espaço à lua.
- Onde está seu marido senhora?
- Bom, primeiramente não quero formalidades, chame-me apenas de Charlotte ou ‘Char’ que é meu apelido. Bem, fiquei viúva há seis anos. Foi um baque para mim e minhas filhas. Todas elas sofreram muito e suplicaram para que eu as deixasse ficar ao invés de mandá-las para Finlândia.
- Elas não queriam te ver sozinha! – concluiu o menino.
- Não, elas não queriam. Todas são muito apegadas a mim, mas se eu as tirasse da escola estaria acabando com todos os sonhos que o pai delas construiu. – respondeu amargurada.
- Você cansou dos livros? – perguntou o menino, se lembrando que ela havia doado vários para sua escola.
- Jamais me cansarei deles, apenas acho que posso compartilhá-los com outros jovens e enquanto abro espaço para mais livros. – ela deu mais um gole em seu chá.
- Como foi? – finalmente a curiosidade do menino o vencera e ele fizera a pergunta que na última semana viera alimentando sua imaginação.
- O que? – perguntou a senhora sem saber ao certo o que deveria responder.
- Bom você descreve na carta que sofreu muito quando tomou a decisão de ficar ao invés de seguir quem realmente amava. – ele mesmo não tinha certeza do que estava perguntando.
- Eu não acho que poderia de fato segui-lo, já que ele era um viajante. Era como se ele me levasse a uma caminhada nas nuvens, como poderia eu me manter em cima dela? – seus olhos mostravam total infelicidade com sua fraqueza.
- Se ele podia manter-se nela e aposto que não se importaria de mantê-la também.

domingo, 29 de maio de 2011

Com amor, Charlotte - 4° Capítulo

Aluis tinha duas opções agora: ir em frente e bater na grande mansão ‘dos Baltez’ ou abandonar a ideia. Por um tempo ele avaliou ambas até finalmente tomar forças, de algum lugar, e as posicionar em suas pernas para então seguir em frente.
‘Com licença! Eu só gostaria de saber se é aqui que vive a Senhora Charlotte Baltez?’ o menino ensaiou pela última vez antes de tocar a campainha. Não demorou até que uma mulher não tão velha abrir a porta e olhou curiosamente nos olhos.
- Boa tarde. – o menino agora parecia ter travado e nem ao menos havia vestígios que ele voltaria a dizer algo. Contudo ele conseguiu, em meio aos engasgos e tropeções – E-eu gostaria de sa-saber se a Senhora Charlotte vive por aqui?
A mulher lhe deu um sorriso confortável.
- Com certeza. Vivo aqui há dezoito anos. – ela foi bem educada e um tanto humorística, talvez pelo fato de um menino se encontrar ali – Em que posso ajudá-lo rapaz?
- Desculpe-me o incômodo. É que eu estudo no Colégio Dom Carlos, e acho que a senhora andou doando livros à nossa escola. – o menino começou a despejar tudo de uma vez de cabeça baixa enquanto seus olhos pareciam querer fugir. – E acho que se esqueceu de verificar dentro dos livros já que achei isto dentro de um dos exemplares que peguei para ler na última semana. – ele retirou do bolso do casaco, que usava devido às baixas temperaturas, um envelope amarelado e amarrotado.
- Oown! Acho que deveria ter sido mais atenciosa. – sua expressão passou de espanto para leve em segundos. – Acho que você é um menino um tanto curioso, não? – disse quando pegou a carta em suas mãos e a viu aberta.
- Mil perdões Senhora! Eu não quis ser bisbilhoteiro nem nada, apenas achei que não haveria nada demais em lê-la, afinal não esperava encontrar um conteúdo tão valioso que me fizesse vir até a senhora. – o menino estava com sua face vermelha, como se todo o sangue de seu corpo estivesse concentrado em suas bochechas.
- Acalme-se rapaz! Já estava na hora dessa carta ser aberta de qualquer jeito. Por favor, aceite lanchar comigo. Fiz um bolo de milho, poderíamos saboreá-lo enquanto conversamos sobre esta que te trouxe aqui, pois eu realmente não acho que você só veio devolve-la. – então se afastou para que o menino passasse pela porta e logo a fechou a suas costas.